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A evolução dos navios 1/700 da Waterline.
Autor: Paulo Roberto Silva (paulors)

Tendo em vista o interesse de vários colegas pelos modelos de navios na escala 1/700, achei que seria útil apresentar algumas informações sobre a evolução da conhecida série Waterline, criada no início da década de 70 por um consórcio de quatro fabricantes japoneses: Tamiya, Hasegawa, Fujimi e Aoshima.

A mesma compreende uma extensa linha de modelos na escala 1/700, tendo como característica comum a ausência da parte inferior do casco, com a reprodução dos navios como se estivessem em seu ambiente natural, no caso a água.

A série Waterline tornou-se bastante popular e consolidou-se como um padrão mundial, reproduzindo, na maioria dos casos, navios da Marinha Imperial Japonesa, suplementados por um número menor de modelos de protótipos norte-americanos, ingleses, alemães e soviéticos.

A passagem do tempo, entretanto, aliada às novas técnicas de moldagem, tirou parte do encanto desses pequenos navios, forçando os fabricantes a atualizá-los. Esse processo teve início em meados da década de 90, com a adição de novas árvores de peças aos modelos originais, seguida da reformulação completa de vários kits a partir da virada do século.

Essa atualização, que atingiu apenas modelos da Marinha Imperial Japonesa, é o objeto do presente artigo e nele será mostrado um exemplo ilustrado. Espero que as informações a seguir possam auxiliar os colegas na hora de adquirir os navios 1/700 da Waterline.

Antes de prosseguir, é importante ressaltar que as informações a seguir aplicam-se apenas aos kits escala 1/700 da Tamiya, Hasegawa, Fujimi e Aoshima, formadores do já citado consórcio Waterline. Sendo assim, não será aqui abordada a extensa série de modelos 1/700 da também japonesa Pitroad/Skywave. A mesma teve uma evolução diversa e vários de seus kits nessa escala, de excelente qualidade, são comercializados com a marca Trumpeter em muitos países, inclusive aqui no Brasil.

Adicionalmente, diversos moldes da Pitroad/Skywave foram adquiridos pela Tamiya, que relançou os respectivos kits com a sua marca. São eles os destroyers classe “Z” da Kriegsmarine, os classe “O” da Royal Navy, os Fletcher da US Navy, os submarinos da classe Gato e o pequeno porta-aviões de escolta Bogue, todos velhos conhecidos dos modelistas brasileiros. Os mesmos também não serão incluídos nesse artigo.

Vou agora ilustrar a citada evolução, tomando como exemplo o Kumano, na sua versão cruzador leve, com canhões triplos de seis polegadas. Quando os membros do consórcio Waterline dividiram entre si os navios da Marinha Imperial Japonesa, couberam a Tamiya os cruzadores da classe Mogami: o próprio, o Mikuma, o Suzuya e o nosso Kumano, recebendo este último a designação 19 ou WL19.

A evolução do Kumano pode ser dividida em três fases:

[1] Modelo original, referência WL19;

[2] Modelo atualizado, com a inclusão de árvores com peças adicionais da Leviathan;

[3] Modelo completamente novo, referência 31344, mantendo as árvores da Leviathan.

Vejam como as caixas são diferentes, sendo a nova bem maior.

[1] Kumano original referência WL19.

Os detalhes do kit original são mostrados nas fotos a seguir e, na época de seu lançamento, era um modelo de primeira grandeza, com 101 peças plásticas, o tradicional peso de metal, uma folha de instruções e uma pequena folha de papel com bandeiras e imitação das janelas da torre de comando. Mais importante ainda, era um modelo inédito, nunca antes oferecido pelos grandes fabricantes ocidentais.

[2] Kumano original referência WL19, com árvores de peças adicionais da Leviathan.

Em meados da década de 90, transcorridos cerca de 20 anos desde o seu lançamento, a Tamiya introduziu a primeira atualização no kit do Kumano, com a adição de duas árvores de peças do conjunto “Heavy Vessel Ordnance Set”.

O mesmo havia sido produzido originalmente no Japão pela Leviathan, juntamente com outra versão denominada “Light Vessel Ordnance Set”, tendo o consórcio Waterline adquirido o direito de utilizá-las para aperfeiçoar os seus produtos 1/700.

Ambas, mostradas a seguir, reproduzem equipamentos exclusivos da Marinha Imperial Japonesa, sendo a versão “Heavy” dedicada a porta-aviões, couraçados e cruzadores, enquanto a “Light” abrange destroyers, submarinos e navios menores. As mesmas também incluem duas pequenas folhas de decals, para as aeronaves. Dessa forma, os membros do consórcio Waterline passaram a incluir uma ou duas árvores desses conjuntos em seus kits, melhorando de forma significativa a sua aparência.

Uma das duas árvores do conjunto "Heavy Vessel Ordnance Set".

Uma das duas árvores do conjunto "Light Vessel Ordnance Set".

Os decals.

Outro ponto interessante é que os dois conjuntos da Leviathan são genéricos, ou seja, não estão associados a um tipo específico de navio, o que significa dizer que sempre irão sobrar muitas peças para outros projetos.

No caso do Kumano, que estamos analisando, foram incluídas duas árvores da versão “Heavy”, totalizando 166 peças plásticas, das quais serão utilizadas menos da metade, atualizando o armamento antiaéreo, os hidroaviões, os botes, os holofotes e outros componentes menores, além dos decals para as aeronaves.

É também importante lembrar que esses conjuntos da Leviathan são vendidos separadamente, como itens da série Waterline e nas embalagens mostradas a seguir.

 

Sendo assim, caso o colega tenha em sua coleção algum kit 1/700 antigo da Tamiya, Hasegawa, Fujimi ou Aoshima, da Marinha Imperial Japonesa, poderá atualizá-lo facilmente adquirindo um desses conjuntos, encontrados à venda aqui no Brasil.

 

[3] Kumano “new tooling” referência 31344.

Por volta de 2001 a Tamiya novamente atualizou o Kumano, só que agora mediante a produção de um kit totalmente novo (“new tooling”), com moldagem e detalhes bastante superiores aos encontrados no original WL19. As duas árvores da Leviathan continuaram sendo incluídas, mas com uma grande diferença. Enquanto na versão anterior suas peças substituíam as similares moldadas pela Tamiya, agora eles se tornaram parte integrante do kit. Sendo assim, as novas árvores do kit, injetadas pela Tamiya, deixaram de trazer as peças encontradas nas da Leviathan, como canhões AA, botes e holofotes, entre outras.

O novo kit, mostrado nas fotos a seguir, é composto de 156 peças de plástico, sendo 107 injetadas pela Tamiya e 49 das árvores extras da Leviathan, suplementadas por 10 polycaps, o tradicional peso de metal, uma folha de instruções, uma pequena folha de papel com bandeiras e as duas folhas de decals da Leviathan, com insígnias para as aeronaves.

Vejam, na última foto, à direita, as peças do conjunto "Heavy Vessel Ordnance Set".

Preparei também um pequeno comparativo entre as peças dos kits WL19 e 31344, mostrado a seguir.

Vejam as diferenças entre as torres dos canhões de seis polegadas, com as originais à esquerda e as novas à direita.

A cobertura da chaminé dianteira. A nova está à esquerda.

A plataforma central de canhões antiaéreos. A nova está na parte inferior da foto.

A proa. Na nova versão, abaixo, o convés dianteiro foi moldado separadamente, facilitando a pintura.

A popa. Mesma observação aplicada à proa.

O casco. O original, na parte inferior da foto, era inteiriço e o novo, acima, vem em duas partes. As aberturas para os tubos de torpedos não eram vazadas na versão original e os mesmos não foram incluídos. Na nova versão as aberturas estão presentes, assim como o convés interno, com os tubos de torpedos e as recargas.

 

E agora? Como fazer para identificar qual a versão daquele kit que você pretende adquirir? É um dos novos, mais detalhado, ou um dos antigos, que irá exigir algum tipo de melhoria?  Bom, infelizmente não existem regras claras e o melhor conselho é pesquisar na Internet. Adicionalmente, ofereço a seguir algumas dicas, sem a pretensão de tentar esgotar o assunto.

[a] Apenas uma parte dos navios 1/700 da Marinha Imperial Japonesa teve os seus moldes renovados. Por outro lado, kits recentes como o Akagi (3-Deck), o Repulse e os navios-tanque da Fujimi já foram produzidos a partir de moldes de alta qualidade.

[b] Aqueles kits da Marinha Imperial Japonesa que não tiveram os seus moldes atualizados são hoje vendidos com as árvores adicionais da Leviathan. Por outro lado, aquele kit antigo que vc tem guardado no fundo do armário certamente não trará tais árvores.

[c] No caso dos porta-aviões, apenas o Zuikaku, o Shokaku, o Shinano, o Hiryu, o Zuiho e o Shoho possuem novos moldes, apesar dos dois últimos ainda carregarem alguns vícios das antigas versões, como marcações do convés de vôo em alto relevo. O Akagi 1941 é molde antigo, mas o novo modelo da década de 30 (3-Deck), já citado acima, é um kit novo, de altíssima qualidade. Estão previstos novos moldes do Soryu e do Ryujo para o final de 2009.

[d] Todos os couraçados foram atualizados com novos moldes: Yamato, Musashi, Nagato, Mutsu, Fuso, Yamashiro, Ise, Hyuga e os quatro Kongo. No caso do Ise e do Hyuga, tanto a versão convencional como a híbrida, com convés de vôo, foram atualizadas.

[e] Todos os cruzadores pesados também receberam novos moldes: Aoba, Furutaka, Kako, Kinugasa, os quatro Myoko, os quatro Takao, Tone, Chikuma e os quatro Mogami, que começaram a vida como cruzadores leves.

[f] No caso dos cruzadores leves, destroyers, submarinos e navios auxiliares, temos uma salada, sendo a pesquisa na Internet o melhor caminho.

[g] A divisão original dos navios 1/700 entre os quatro fabricantes do consórcio Waterline tem sofrido alterações e deixou de ser seguida de forma rígida, sendo possível encontrar o mesmo modelo injetado por dois fabricantes. Recentemente a Fujimi começou a dar indícios de que pretende seguir uma carreira solo, coisa que só será possível confirmar com a passagem do tempo.

[h] Várias edições especiais têm sido oferecidas, com detalhes em PE ou com casco completo ou ainda com a torre de comando injetada em plástico transparente, para facilitar a reprodução das janelas. Também tem sido lançados kits do mesmo navio em fases diferentes de sua vida, como o já citado Akagi ou o cruzador pesado Chokai (1942 e 1944).

A escala 1/700 está hoje em uma fase excepcional, com muitos lançamentos e atualizações, além de uma avalanche de conjuntos de detalhamento em PE, plástico ou resina. Por outro lado, é importante não esquecer que mesmo os kits antigos do consórcio Waterline são uma boa opção, de baixo custo, capazes de produzir boas réplicas com a adição dos citados conjuntos de detalhamento.

Bom, termina aqui esse pequeno trabalho. Estou à disposição para esclarecer qualquer dúvida sobre o tema, através dos canais de comunicação oferecidos pela Webkits.

Abraços,

Paulo Roberto

(paulors)

 

 


 


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