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A Base
Sendo a chapa plástica um tanto fina (2 mm) decidi posicioná-la sobre uma placa de madeira, na realidade uma prateleira que havia sobrado e que me serviu muito bem pois já estava envernizada nas superfícies superior e inferior e em um dos lados.

Foto 1
Optei por colar a chapa plástica com Araldite (bi-componente). Para tanto, misturei muito bem os componentes e apliquei nas quatro bordas, fazendo um "X" na parte central (foto 02 e foto 03).

Foto 2

Foto 3
Como precisava de uma certa compressão para fixar a parte central da chapa, optei por fazer um carregamento com livros grossos e pesados o suficiente para comprimir a chapa de plástico na placa de madeira, já que nas bordas fixei grampos plásticos e sargentos metálicos (foto 04). Assim, consegui uma base mais atraente (foto 05).

Foto 4

Foto 5
A Pintura
Nesta etapa utilizei tintas acrílicas da Tamiya (Deck Tan) para a base, da Model Master (Guards Red) para o Hinomaru e da Acrilex solúveis em água (Cadmium Yellow, Yellow Oxide e Burnt Siena) para os diversos tons da madeira; usei ainda os esmaltes da Humbrol o branco (nº 22) para as marcações no deck, o marrom (nº 160) para o pré-escurecimento e a Humbrol Metal Cote (nº 27003) para as tampas metálicas do deck. (foto 06 e foto 07).

Foto 6

Foto 7
Iniciei dando uma demão de Deck Tan em todo o deck como base para a pintura, aplicado com aerógrafo (foto 08), após, também com um aerógrafo, fiz um pré-escurecimento de algumas tábuas aleatoriamente com o marrom (foto 09).

Foto 8

Foto 9
Deixei secar bem, e a partir daí iniciei a parte mais interessante e que requer muito cuidado e paciência: a aplicação dos acrílicos da Acrilex. Estas tintas são para pintura em tela, porém aderem muito bem ao plástico e são semi-brihantes, ideais para o que eu precisava. Inicialmente testei diversas misturas entre as três tonalidades (Amarelo Cádmio, Amarelo Óxido e Siena Queimada) até atingir os tons necessários. Aqui quero fazer um parênteses, apesar de estar querendo fazer um deck de porta aviões japonês tendo como modelo aquele de resina da foto 1 da primeira parte da matéria; decidi que não queria copiar identicamente a pintura e o grafismo do deck; portanto neste ponto deixei o "artista" que existe dentro de mim tomar conta da situação. Fui fazendo tons de madeira mais claros, médios e escuros aleatóriamente sobre o deck utilizando um pincel médio (foto 10), procurando dar um efeito de desgastado pelo tempo e pelas intempéries, além do uso (pouso e decolagem) pelas aeronaves, em certos pontos marcas mais escuras de frenagem, em outros mais claras.

Foto 10
Ao terminar deixei secar por uma noite, no dia seguinte notei que o deck estava um pouco escuro demais e com a pintura vívida (foto 11);

Foto 11
Decidi inicialmente fazer um processo de "filtragem" com tons mais claros e aguados com as mesmas tintas, utilizando para isso um pincel chato e largo. A medida que as demãos iam secando o deck se tornava mais claro (foto 12), porém ainda estava vívido, após nova secagem decidi lixar toda a superfície com uma lixa fina (nº 400) e cheguei exatamente onde eu queria chegar o aspecto "pálido" da pintura. Pronto, agora podia partir para a pintura dos grafismos e das tampas metálicas.

Foto 12
Para as marcações de balizamento utilizei a tinta branca aplicada com aerógrafo, fazendo antes o mascaramento de todo o deck com fita gomada (foto 13).

Foto 13
E para o Hinomaru logicamente utilizei a tinta vermelha, também aplicada com aerógrafo; porém neste ponto tive que ter um pouco de perícia caso contrário não teria conseguido fazer o semicírculo vermelho. Fazê-lo com fita seria muito difícil pois teria que ter uma fita gomada ou talvez uma folha gomada grande o suficiente, o que eu não tinha; portanto decidi usar uma folha de papel sulfite A-4. Achei algo circular com diâmetro suficiente (um prato) e coloquei por cima da folha, pressionei bem com uma das mãos e com a outra passei o estilete com a lâmina bem afiada na borda do prato até completar o desenho, após destaquei com cuidado a parte cortada (foto 14).

Foto 14
Fiquei com medo da tinta passar sob a folha e estragar a pintura já pronta do deck, como faria a vedação? Simples, usando cola branca aplicada nas bordas internas do papel e fazendo a pintura na direção contrária ao vão. Bem, deu certo, não ficou perfeito pois a borda do papel cortada com um estilete apresentou algumas minúsculas falhas, porém somente uma lupa denunciaria isto, para mim estava ótimo. Retirei as máscaras e deixei secar por mais uma noite, até passar para a penúltima etapa (foto 15).

Foto 15
Precisava envernizar o deck, optei pelo verniz da Humbrol (Satin Cote) semi-brilho, que dá uma aparência acetinada, apliquei duas demãos e deixei secar por algumas horas antes de iniciar a fase final, a pintura das tampas metálicas. As tintas Metal Cote da Humbrol foram uma das melhores coisas que inventaram no plastimodelismo, para quem não conhece são esmaltes metálicos que após a secagem aceitam polimento, isso mesmo você dá brilho à pintura após a secagem da tinta, é ideal para partes metálicas de armamentos, e diversos outros objetos metálicos. Escolhi este tom pois parece um alumínio oxidado, bem oportuno na atual situação. Pintei um a um com muito cuidado usando um pincel fino, fazendo primeiro uma fileira longitudinal, deixando secar, polindo e só depois passando para a outra fileira longitudinal (foto 16 e foto 17), trabalho de muita paciência, porém neste ponto a cada fileira que você conclui seu trabalho vai ficando quase pronto, nesta etapa não tenha pressa...nenhuma.

Foto 16

Foto 17
O trabalho termina aqui, logicamente não sou nenhum artista plástico e com certeza alguém haverá de pintar muito melhor que eu e conseguir efeitos no deck que o fariam ainda muito melhor (foto 18). A idéia foi mostrar aos colegas que podemos fazer coisas muito boas utilizando materiais baratos, sem ter que recorrer a importados que para muitos torna o hobby impraticável.

Foto 18
As tintas Tamiya e Humbrol você encontra nas melhores casas do ramo, as tintas da Acrilex em casas que comercializam materiais artísticos (por exemplo A Michelângelo) e as chapas de poleitileno em lojas de artigos de plásticos. Aqui em São Paulo indico a Plastitécnica na Rua Augusta, ela vende chapas grandes (se não me engano 2,00 x 2,00 m) o que dá pra fazer muita base e sobra para outras coisas. Qualquer dúvida me enviem um e-mail, estarei a disposição. Espero que esta matéria tenha atingido o seu objetivo e satisfeito as suas expectativas. Até a próxima.
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